18.10.17

Lançamento de Livro de Noemi Jaffe




O livro O Que os Cegos Estão Sonhando?, da romancista brasileira Noemi Jaffe, vai ser lançado no próximo dia 20 de Outubro, pelas 19:00, na Livraria Ferin, em Lisboa.
Gonçalo M. Tavares irá conversar com a autora.
Em abril de 1945, cerca de um ano após ser presa pelos nazis e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe (cujo nome de solteira era Lili Stern) foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado: a captura pelos alemães, o quotidiano no campo, as transferências para outros locais de trabalho, mas também a experiência da libertação, a saudade dos pais e a redescoberta da feminilidade.
Esse diário — hoje depositado no Museu do Holocausto em Jerusalém e que, traduzido diretamente do sérvio, tem aqui a sua primeira publicação mundial — foi o ponto de partida para este livro absolutamente incomum, escrito e organizado por Noemi Jaffe. Em O Que os Cegos Estão Sonhando?, há três gerações de mulheres da mesma família que se debruçam sobre o horror de Auschwitz, no impulso — tão imprescindível quanto vão — de, como observa Jeanne Marie Gagnebin, erguer uma defesa “contra a brutalidade do real”.

Lincoln no Bardo vence Booker Prize





O romance de George Saunders Lincoln no Bardo ganhou ontem o Man Booker Prize, o mais importante prémio literário depois do Nobel.
George Saunders, escritor norte-americano nascido em 1958, tornou-se conhecido pelos seus livros de contos, inicialmente publicados em revistas como a The New Yorker ou a Harper’s Bazaar. Por estas publicações recebeu por quatro vezes o National Magazine Award.
Posteriormente reuniu os seus contos em várias antologias, duas das quais — Pastoralia e Dez de Dezembro — foram publicadas em Portugal.
George Saunders é também autor de um volume de ensaios, The Braindead Megaphone, saído em 2007.
Lincoln no Bardo, editado pela Relógio D’Água em Julho de 2017, com tradução de José Lima, foi o seu primeiro romance, distinguindo-se, como a sua obra anterior, por uma nova forma de entender a literatura e trabalhar a linguagem, permitindo ao leitor alcançar emoções únicas irrepetíveis. Na medida em que luta contra as antigas formas de expressão literária, característica dos mais inovadores romancistas contemporâneos (Karl Ove Knausgård, Zadie Smith, Cormac McCarthy), Lincoln no Bardo ocupa um dos lugares mais destacados na ficção actual.
Da longlist e da shortlist do Booker Prize fizeram parte obras como The Ministry of Utmost Happiness, de Arundhati Roy, 4 3 2 1, de Paul Auster, Exit West, de Mohsin Hamid, Home Fire, de Kamila Shamsie, Swing Time de Zadie e Autumn de Ali Smith.

Lincoln no Bardo é o primeiro romance de George Saunders. Nestas páginas, o autor revela-nos o seu trabalho mais original, transcendente e comovedor. A ação desenrola-se num cemitério e, durante apenas uma noite, a história é-nos narrada por um coro de vozes, que fazem deste livro uma experiência ímpar que apenas George Saunders nos conseguiria dar.
Ousado na estrutura, generoso e profundamente interessado nos sentimentos, Lincoln no Bardo é uma prova de que a ficção pode falar sobre as coisas que realmente nos interessam. Saunders inventou uma nova forma narrativa, caleidoscópica e teatral, entoada ao som de diferentes vozes, para nos fazer uma pergunta profunda e intemporal: como podemos viver e amar sabendo que tudo o que amamos tem um fim?

17.10.17

Sobre «Sobre a Tirania», de Timothy Snyder




«Snyder vislumbra no seu país tendências e tentações que visam minar os controlos democráticos que impedem que haja poder absoluto, isto é, tirania. As referências a um nunca nomeado Donald Trump são recorrentes ao longo deste livro de estilo bem anglossaxónico (que é como diz sem palha), cujo conteúdo tem um alcance bem mais vasto do que o da atual presidência americana.» [In Expresso. Texto completo em http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-07-01-Combata-a-tirania-antes-que-seja-tarde ]

16.10.17

Obra de Agustina Bessa-Luís na Cinemateca





Em colaboração com a Relógio D’Água, a Cinemateca Portuguesa dedica a rubrica História Permanente do Cinema Português à relação da escritora Agustina Bessa-Luís com o cinema.
Com a exibição de dois filmes que adaptam a obra da escritora — Francisca, de Manoel de Oliveira, e A Corte do Norte, de João Botelho —, hoje, 16 de Outubro, o dia seguinte ao do seu aniversário, a Cinemateca associa-se à editora Relógio D’Água e às iniciativas promovidas em torno da comemoração dos 95 anos de Agustina, a propósito do relançamento de toda a obra da autora. Iniciativas que incluem ainda a preparação de uma biografia da escritora, leituras e debates na Livraria Lello e uma exposição de fotografias sobre o seu Douro.

A chegar às livrarias: Os Três Estigmas de Palmer Eldritch, de Philip K. Dick





Em finais do século XXI, num mundo superlotado e repleto de colónias espaciais, o tédio pode ser ultrapassado recorrendo à droga Can-D, que permite aos seus utilizadores habitarem um mundo ilusório partilhado.
O industrial Palmer Eldritch regressa de uma viagem interestelar, traz consigo uma nova droga alienígena, a Chew-Z, bastante mais poderosa do que a Can-D. Mas, como qualquer droga, esta revela um poderoso efeito secundário, que ameaça mergulhar o mundo num estado permanente de ilusão controlada pelo misterioso Eldritch.

«O mais consistente escritor de ficção científica do mundo.» [John Brunner]


«Para todos os que se sentem perdidos nas múltiplas realidades do mundo moderno lembrem-se: Philip K. Dick foi o primeiro a chegar a elas.» [Terry Gilliam]

13.10.17

O Construtor, a partir de Jaime Rocha, na Quinta da Regaleira





Estreia hoje, no Auditório da Quinta da Regaleira, o espectáculo O Construtor, a partir da peça homónima de Jaime Rocha, nunca representada em Portugal.
A visão desapaixonada (a um tempo cómica e absurdamente trágica) da peça de Jaime Rocha, escrita em 1998, mantém intacta a sua actualidade, numa Europa a tentar reerguer-se da recessão dos mercados financeiros, do desemprego jovem galopante, do recrudescimento do terrorismo ou, a debater-se com uma crise humanitária sem precedentes, decorrentes do fluxo migratório resultante da chamada Primavera Árabe.
O texto de Jaime Rocha aborda, metaforicamente, todos estes tópicos, que se materializam no espectáculo dirigido por Paulo Campos dos Reis.
A peça conta com a interpretação de : Filipe Araújo, João Brás, Miguel Moisés, Patrícia Cairrão, Ricardo G. Santos, Suzana Branco e Virgínia Brito e estará em palco até 16 de Dezembro de 2017.

A Relógio D’Água publicou dois livros de textos dramáticos de Jaime Rocha: O Jogo da Salamandra e Outras Peças e Azzedine e Outras Peças.

A chegar às livrarias: Fanny Owen, de Agustina Bessa-Luís (prefácio de Hélia Correia)





«Não significa tal que este livro não arda. O que acontece dentro é um desses fenómenos cuja potência afunda um continente ou levanta das cinzas uma ilha. Pois nele se realiza aquele encontro, proibido pelas leis do devir físico, entre Camilo Castelo Branco e Agustina. Este, sim, é um encontro de alto risco. Se a sua grandeza não fosse de maneira a obrigar-nos a guardar a distância, mandaria a prudência que a guardássemos.
«(…) Está claro que teriam de nascer em dois tempos diferentes, pois a coexistência arrastaria um desastre, no sentido sideral desta palavra. Ainda assim, a relação entre eles é turbulenta, visceral, excitante. Vê-se o quanto Agustina admira o homem, como o entende, como o desmascara, como se irrita quase que domesticamente com as suas fraquezas de carácter. Se existe um par na literatura é este, não a Sand e o Musset, a quem o próprio espectáculo do amor prejudicou.» [Do Prefácio de Hélia Correia]