14.12.17

Deuses de Barro apresentado hoje, às 18:00, na Biblioteca Palácio Galveias




«Primordial e fundador, Deuses de Barro foi escrito quando Agustina tinha 19 anos e permaneceu inédito até agora. E, sendo um romance inicial, nele se revela, desde logo, uma geografia recorrente e as coordenadas do futuro universo ficcional da escritora, mesmo em latência, os traços de algumas das histórias e personagens que criou mais tarde.
A 1.ª edição de Deuses de Barro, que será o 5.º volume das Obras Completas de Agustina que a Relógio D’Água está a publicar, permite assim um exercício “arqueológico”, um regresso às origens de uma escrita das mais poderosas da literatura portuguesa contemporânea, com o prazer de reencontrar no princípio um território firme e conhecido.

Nesse primeiro romance, Agustina, que costumava aconselhar que se escrevesse sempre sobre o que se conhecia, tomou para si própria o conselho, escrevendo sobre o mundo rural, a Casa do Paço, em Travanca, um “mundo fechado, que frequentara em criança e adolescente, onde o convívio com as tias Maria e Amélia foram um exemplo para a sua vida, um legado de sabedoria transmitido como uma profecia”, como escreve em prefácio Mónica Baldaque, filha da escritora.» [JL, 6/12/17]

13.12.17

Sobre As Pessoas do Drama, de H. G. Cancela





«A inquietação deste drama advém precisamente dessa violência surda e insidiosa que se aloja a cada momento da sua ação, da sua estranheza que é construída por uma linguagem obsessiva e depurada, realçada por uma imagética impressiva e uma densidade metafórica assinalável. Podemos ficar envolvidos (ou não) pela estranheza desta linguagem, pela inquietação do seu universo ficcional, mas não ficamos imunes à contaminação que a sua leitura provoca. E se “Impunidade” já revelava uma voz singular na ficção portuguesa contemporânea, com “As Pessoas do Drama” o nome de Helder G. Cancela dificilmente poderá ser ignorado, inscrevendo-se numa linhagem de autores como Gonçalo M. Tavares, Rui Nunes, Jaime Rocha, Hélia Correia, Dulce Maria Cardoso ou António Lobo Antunes. Espreita-nos na sua obra o negrume de Dostoievsky e de Thomas Bernhard, em todas essas figuras alinhadas pela constelação de uma escrita que tem o poder de nos dar o lado mais obscuro do humano e sem ilusões que a embelezem. Sem antídotos que a salvem.» [Maria João Cantinho, JL, 6/12/17]

Sobre O Rio da Consciência, de Oliver Sacks




«Sacks escreveu livros ao longo de mais de 45 anos — principalmente acerca do funcionamento do cérebro e, ao mesmo tempo, debruçando-se sobre tudo — e ensinou-nos muito sobre como pensamos, recordamos e percebemos, sobre como damos sentido ao mundo e a nós próprios.» [Nicole Kraus, The New York Times, 4/12/17, texto completo aqui.]

12.12.17

Apresentação de Romance Inédito de Agustina Bessa-Luís





Deuses de Barro, romance inédito que Agustina Bessa-Luís escreveu aos dezanove anos, vai ser apresentado no próximo dia 14 de Dezembro, às 18h00, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.

Serão projectados três documentários sobre a obra de Agustina Bessa-Luís, As Sibilas do Passo, Fanny e a Melancolia e Ema e o Prato de Figos, realizados por Adriano Nazareth.


Os textos dos documentários foram adaptados ou ficcionados das obras de Agustina Bessa-Luís por Mónica Baldaque, autora do prefácio a Deuses de Barro.

Sobre Mr Fox, de Helen Oyeyemi




«A britânica (de origem nigeriana) Helen Oyeyemi escreve somo se estivesse a salvar a sua melancolia — e a reinventar a abordagem da ficção e da realidade sem saber em qual dos campos se manter. A história de Mary Foxe, a personagem, é uma interrogação permanente à improbabilidade do seu amor.» [Revista LER, Outono 2017]

Sobre Tempo de Escolha, de António Barreto




«Esquerda e direita continuam a existir, mas este é um tempo de escolhas mais profundas — e é possível aplaudir boas políticas de maus governos, bem como vituperar más políticas de bons governos. Nesta coleção de crónicas, Barreto mostra porque é uma das nossas vozes mais serenas e inteligentes.» [Revista LER, Outono 2017]

11.12.17

A chegar às livrarias: Uma Boa Morte, de Hans Küng (trad. de Miguel Serras Pereira)





Durante séculos, foi imposta aos crentes cristãos a proibição de terminar com a vida.
No entanto, Hans Küng defende que uma boa morte se fundamenta no respeito profundo pela vida de qualquer pessoa e nada tem que ver com o infeliz suicídio arbitrário.
Se temos responsabilidade sobre a nossa vida, porque haveria essa responsabilidade de terminar na sua última fase? É precisamente como cristão que Hans Küng apela ao direito de cada qual decidir responsavelmente sobre o momento e a forma da sua morte.
Neste breve ensaio, que procura contribuir para a mudança de atitude da Igreja, Hans Küng mantém a coerência e a autenticidade que revelou no seu conflito com a hierarquia católica romana. A sua defesa da eutanásia (cujo significado etimológico é “boa morte”) insere-se assim nas suas preocupações antropológicas e religiosas.

“Gostaria de morrer consciente e de me despedir digna e humanamente dos seres que me são queridos”, escreve Hans Küng.